Natureza e características da investigação científica


Charge2010-labrinto-pesquisas

1-Classificação da investigação segundo seus objetivos

As pesquisas descritiva, exploratória e explicativa são classificações da investigação científica que variam de acordo com o objetivo pretendido. As três utilizam métodos de pesquisa diferentes para atender os objetivos da pesquisa e podem ser processadas de modo integrado, no intuito de obter uma melhor análise dos dados coletados.

pesquisa exploratória consiste em ter uma maior proximidade com o universo do objeto de estudo pesquisado. Ela é a pesquisa que visa, através dos métodos e dos critérios, oferecer informações e orientar a formulação das hipóteses do estudo. Ela visa a descoberta dos fenômenos ou a explicação daqueles que não eram aceitos, mesmo com as evidências apresentadas. Um bom exemplo de pesquisa exploratória são os estudos de caso, pois eles evidenciam a constatação de fenômenos ocorridos nos experimentos em campo ou no laboratório.

Já a pesquisa descritiva realiza um estudo detalhado através de técnicas de coleta, visando uma análise e interpretação mais profunda destes dados; proporciona novas visões sobre uma realidade já conhecida.

pesquisa explicativa pretende justificar os fatores que motivam a ocorrência do objeto ou do fenômeno estudado. Ela é a pesquisa que relaciona teoria e prática no processo da pesquisa científica. Nas ciências naturais, por exemplo, é usado o método experimental, enquanto nas ciências sociais recorre-se ao método observacional.

Cabe ressaltar, por fim, que a pesquisa descritiva, combinada com a pesquisa exploratória, são as mais realizadas pelos pesquisadores sociais da atualidade. Por isso, é preciso se atentar às fronteiras cognitivas e metodológicas das fases de investigação, sabendo o momento de separar e combinar procedimentos.


2-Classificação da investigação segundo suas abordagens

  • Pesquisa Quantitativa: emprego da quantificação na coleta dos dados e na análise deles, por meio do tratamento estatístico;
  • Pesquisa Qualitativa: é fundamentalmente interpretativa; consiste na coleta e análise dos dados quantificados ou não; ela analisa e descreve o fenômeno em suas formas mais complexas;
  • Pesquisa Mista: articula as dimensões quantitativa e qualitativa.
tcnicas-para-a-coleta-de-dados-5-638


3-Iniciar problemáticas e selecionar tópicos

Independente do tipo de investigação, iniciar uma pesquisa científica exige, primeiramente, uma seleção especial do tema a ser explorado, pois só uma boa escolha é que irá proporcionar estímulo, dedicação, horas de trabalho e cada vez mais horas de reflexão. A empolgação com a pesquisa pode variar muito ao longo desse processo, mas quando temos afinidade com um campo do conhecimento, quando realmente estamos curiosos para encontrar uma resposta ou mais questões, a motivação é maior. Por isso, escolher uma área que você sente prazer em estudar vai fornecer ânimo extra para quando for necessário, por exemplo, fazer aquela coleta de dados às 3 horas da madrugada de sábado ou passar aquela noite de sexta-feira trabalhando.

Identificar um tópico: O tópico é a ideia central a ser aprendida ou explorada em um estudo. Há várias formas através das quais os pesquisadores obtêm algumas informações sobre o tópico quando estão começando sua pesquisa. Nosso conselho é que o tópico seja escolhido pelo pesquisador e não por um orientador ou pelo membro de um comitê.

Durante a seleção de um tópico de pesquisa, eis algumas das operações que a norteiam:

Tópico

4-Delimitar problemas e focar em hipóteses

8e4fda3fcc303500031d_865x647_0_0_1_1
“Devemos, antes de tudo, identificar e definir um problema, construindo um modelo que nos permita uma aproximação ao seu estudo e testá-lo”  (ALMEIDA; FREIRE, 2003, p. 37).

Primeiros passos: A delimitação de um problema constitui a primeira fase na elaboração de qualquer projeto ou de qualquer investigação. Por anteceder e dar origem à construção de um modelo explicativo, a definição do problema é uma fase essencial e nela se inclui, designadamente, a definição das hipóteses e a operacionalização das variáveis a considerar durante sua fase analítica.

Do problema às delimitações da hipótese: Hipótese é a explicação ou solução mais plausível de um problema. A hipótese é uma proposição testável, que pode vir a ser a solução mesmo que parcial do problema. Suas intervenções são de caráter dedutivo e/ou indutivo e variam de acordo com sua relação com as ideias e com as coisas: “Ao formular as hipóteses o investigador está, no fundo, a identificar as variáveis e a definir as suas relações, ou seja, o respectivo papel na investigação. A explicação das variáveis e das suas relações constitui um novo passo importante na definição do modelo de análise do problema.” (ALMEIDA; FREIRE, 2003, p. 51).


5-Se atentar às variáveis

O registo das ocorrências de um estudo científico necessita de formas para representar os acontecimentos e os fenômenos de forma adequada, ou seja, de forma a considerar os valores associados a cada variável. Esses valores enquadram-se em diferentes escalas de medida que consistem em modos de expressar a qualidade ou a quantidade dos dados.

As variáveis podem ser: independentes, dependentes, moderadoras e parasitas: “A variável independente se identifica com a dimensão ou a característica que o investigador manipula deliberadamente para conhecer o impacto que produz noutra variável. As variáveis independentes permitem a sua manipulação, admitindo-se que a forma como são manipuladas podem condicionar o comportamento dos sujeitos e, consequentemente, os resultados no contexto do estudo. A variável dependente, por sua vez, pode ser influenciada quando se manipula a variável independente. As variáveis moderadoras ou intervenientes são geralmente assumidas como variáveis alheias ao estudo que podem influenciar os resultados, situam-se entre as variáveis independentes e as variáveis dependentes, podendo atuar de forma interativa. Por fim, as variáveis estranhas ou parasitas são variáveis associadas à variável independente, que não são consideradas na experiência, mas que podem ter influência nos resultados esperados para a variável dependente.” (MORAIS, s/d, p. 17).


6-Ciência e Investigação na Educação

slide_10

Provocação: Segundo Lukas e Santiago, entre os os próprios termos ciência e educação há uma espécie de relação variável, visto que “el término ‘educativa’ puede suscitar una reflexión acerca de si la educación es una ciencia o no. Indudablemente dependerá de lo que entendamos por ciencia.” (LUKAS; SANTIAGO, 2004, p. 15).

Definição de ciência: O termo ciência, do latim scientia, significa conhecimento, doutrina, erudição ou prática. Progressivamente foi acrescentado o caráter sistemático ou organizado de tal conhecimento. E é na sua sistematização que encontramos o âmago do método científico, já que nesse processo temos uma serie de interrelações que visam atingir graus do conhecimento científico. Dentre os tipos de conhecimento científico, podemos salientar as seguintes: objetivo, empírico e racional. A cada um desses modelos de conhecimento científico derivam as estratégias investigativas assinaladas abaixo.

Modelos de investigação:

  • Investigação Descritiva – voltada para a predição e explicação através da testagem de teorias e hipóteses.
  • Investigação Correlacional – voltada para a compreensão e a predição dos fenômenos através da formulação de hipóteses sobre as relações entre variáveis.
  • Investigação Experimental – voltada para a compreensão e descrição dos fenômenos globalmente considerados.

Da ciência aos modelos de investigação: Na esteira do conhecimento científico, vários critérios podem ser utilizados para elaborar investigações em Educação. Estão em causa a investigação básica ou investigação pura; ou, ainda, movidas por alguma forma de conciliação de ambas as investigações mencionadas, por exemplo naquilo que vem sendo chamado de “investigação-ação”, apresentando níveis intermediários e correlacionais. Nessa altura caminhamos entre um grau mais indutivo (“pontos de continuidade ou pregnância de uma dada realidade”) e um grau mais dedutivo, em que importa testar relações causais. (ALMEIDA; FREIRE, 2003).

Os modelos de investigação na Educação, dentre os modelos gerais já anotadospodem ser divididas em duas perspectiva: a primeira definiríamos como empírico-analítico, e que aparece frequentemente associada com outras expressões como investigação quantitativa, positivista e experimental. A segunda perspectiva, que definiríamos por humanista-interpretativa,  está mais associada à investigação qualitativa e naturalista. A segunda perspectiva constitui-se em reação à primeira, assumindo-se como uma perspectiva marcadamente anti-positivista. Esse confronto é importante para o estabelecimento da realidade educativa, que passa a ser percebida com mais dinâmica fenomenológica, associando-se tanto à história individual quanto aos contextos.

Afirmação: O estudo da Educação não poderá ser feito sem o recurso à própria perspectiva dos sujeitos participantes das situações. Por isso, “torna-se importante e necessário conhecer as crenças e os costumes, os sistemas de comunicação e de relação, bem como as representações dos indivíduos e dos grupos sociais” (ALMEIDA; FREIRE, 2003, p. 27). É justamente nesse ato de apropriação ideológica e simbólica que as hipóteses e variáveis cognitivas se fazem importante e presentes na área educativa.


7-Problemas educativos entre hipóteses e variáveis

epistemologia

Alguns dos conhecimentos disponíveis quer na Educação, quer nas demais Ciências Sociais e Humanas, nem sempre se enquadram numa definição epistemológica de conhecimento científico. Em função dessa limitação, é que a coexistência de teorias diversas se tornou uma estratégia buscada para explicar um mesmo fenômeno. Ou seja, nas Ciências Sociais e Humanas, duas teorias distintas podem se apoiar em dados de investigação para se afirmarem como verídicas, plausíveis ou correlacionais. Diante dessa estratégia investigativa, a singularidade dos objetos nas Ciências Sociais e Humanas aparece indubitavelmente associado aos condicionalismos,  que para uns é a fraqueza e para outros a matéria-prima do estatuto científico dessas ciências, eis a tensão armada entre existencialistas e conceitualistas que nos fornece muitos elementos para pensarmos o próprio campo epistemológico da Educação!!

Apoio: Em um trecho bem esclarecedor, escrito por Cardona Moltó (2002) e citado por Lukas e Santiago, revela-se que “La investigación en Educación se realiza bajo unas condiciones muy particulares. Los rígidos controles de las situaciones de laboratorio no son posibles en educación. Por añadidura, la medición en investigación educativa es, a menudo, indirecta e imprecisa, y la verificación de los hallazgos por replicación puede resultar difícil. Por ello, en educación se suele tomar el método científico como un estándar al que se somete la investigación para valorar si es adecuada, pero cabe esperar que alguno estudios no se adhieran rígidamente a las características del método científico.” (LUKAS; SANTIAGO, 2004, p. 20).

Afirmação: Com esse esclarecimento de Moltó, aproximamos a Educação das hipóteses como estratégia de investigação e análise, desdobrando-a em interpretações e compreensões dos processos educativos a partir do universo dos sujeitos ativos que teorizam fenômenos e observam e descrevem dados. Eis a seguir um mapa conceitual que pode organizar essa sistematização:

Ciência

8-Referências

ALMEIDA, L.; FREIRE, T. Metodologia da Investigação em Psicologia e Educação. Braga: Psiquilíbrios, 2003, pp. 18-34.

LUKAS, J. F.; SANTIAGO, K.. Evaluación educativa. Madrid: Alianza Editorial, 2004.

MORAIS, Carlos. Descrição, análise e interpretação de informação quantitativa: Escalas de medida, estatística descritiva e inferência estatística. Bragança: Escola Superior de Educação – Instituto Politécnico de Bragança, s/d.


7 comentários sobre “Natureza e características da investigação científica

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s